13 Outubro 2009

É a lei da vida...

Uma vez, há algum tempo atrás, ouvi, não me lembro onde, que a Vida nunca é completa, falta-nos sempre alguma coisa.
Assim: Quando
somos crianças, temos tempo, temos saúde mas não temos dinheiro; Quando somos adultos, temos saúde, temos dinheiro, mas não temos tempo; Quando chegamos à velhice, temos tempo, temos dinheiro, mas não temos saúde.
Agora descubro que, para além daquelas fases, existe outra aí por volta dos 25 anos, em que não se tem nem tempo, nem dinheiro e ainda se dá cabo da saúde!

21 Agosto 2009

Cine Magazine

Duplo Amor, de James Gray, arrisca-se a ser um dos filmes do ano.
Baseado na obra romântica de Fiódor Dostoiévski,
Noites Brancas, conta-nos a história dum solitário e desencantado sonhador que vê nascer dum encontro casual uma paixão arrebatadora. São Petersburgo dá lugar a Brooklyn, e o «sonhador», aqui Leonard Kraditor, não perde tudo e acaba por abraçar a vida real. Apesar disso, fica a amarga sensação de que a vida não é feita de sonhos, que não duram mais do que meros instantes. Fica ainda uma nota positiva para a banda sonora que inclui obras de Donizetti e Mascagni, e ainda, uns minutos de «Estranha Forma de Vida» na voz de Amália Rodrigues.

17 Agosto 2009

A vida são dois dias e eu estou de férias!!!

Terminei ontem o Húmus, de Raúl Brandão.
Tenho a sensação que não escolhi a melhor altura da vida para ler esta obra... Mas talvez esteja enganada!
Acontece que, depois de há cerca de um ano ter lido
A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore, tinha ficado com uma curiosidade imensa de ler a obra prima do precursor do existencialismo literário português.
Fica um pequeno excerto, perto do final, que, a meu ver, resume a essência da obra:
«Vive devagarinho. Aquece-te à réstia do Sol como quem nunca mais tornará a aquecer-se; perde todas as horas a trespassar-te de vida. Deixa que sobre ti caia o pó de oiro. Vive-a. Tu és nuvem, tu és árvore. Enche a consciência de todas estas coisas porque não tardarás a perdê-la. Vive - não tornas a viver. Põe de acordo a tua alma com a pedra, extrai encanto do céu e da miséria. Pudesse eu gritar! Pudesse eu ter fome!
Só agora dou pelo sabor das lágrimas».
E hoje, que é oficialmente o meu primeiro dia de férias, apetece-me ler poesia!! A Obra Poética, de José Carlos Ary dos Santos parece-me bem...

04 Agosto 2009

In my secret life

Ontem estava numa onda melancólico-romântica e deu-me para ouvir Leonard Cohen. E até tinha postado aqui «In my secret life» mas os gajos do Imeem reduziram-me a música a 30 segundos e não contentes ainda me deram cabo disto tudo... Agora não há música para ninguém! Também, já me passou a onda...

28 Julho 2009

Oh mar salgado!

O passado sábado foi dia de passeio de barco... às Berlengas! Uma verdadeira aventura...
À chegada a Peniche, qual turista, comprei bilhete para a primeira lancha que me apareceu à frente, na companhia de ingleses, espanhóis e italianos, desconhecendo, claro está, que existe um Barco próprio, de tamanho apropriado e com bilhete a preço menos ambicioso, que faz a mesma viagem em condições no mínimo mais seguras...
A viagem de ida fez-se bem, sem enjoos nem nada dessas mariquices. O mais enervante foi mesmo a sensação do barquito a bater de frente nas ondas, em tudo semelhante a um carro a grande velocidade constantemente a passar por buracos enormes na estrada. Digo que a viagem se fez bem mas parece que houve um problema qualquer com um cabo, e o barquito perdeu potência. De qualquer forma, quase ninguém deu por isso e lá chegamos ao pequeno reino das Cegonhas.
Sobre a ilha não conto muito... Não fiquei com muita vontade de voltar. Ficou aquém das expectativas e a única coisa que corresponde é a transparência das águas. Mas, claro, isto é a minha opinião que, dizem, é sempre do contra.
Agora o auge foi mesmo no regresso.
Com o barco que nos havia trazido encostado às boxes, chega outro, ainda mais pequeno, mais frágil e com menos segurança, para nos levar de volta a Peniche...
Não há-de ser nada - pensei eu. Ah pois não!!
Depois de percorridos 10 dos 30 minutos que ainda nos separavam do chão firme do continente, eis que a pequena embarcação a motor, quiçá se por excesso de peso, se de velocidade, se de ambas as coisas, começa numa fumarada preta, e pára! Pára em pleno alto mar! Que aquilo era o mar Atlântico e não o Rio Tejo como bem advertira o cauteloso vendedor de bilhetes...
E ali ficamos cerca de 10 minutos, à deriva no oceano, com o barco a balancear ao sabor das ondas, a sentir o verdadeiro espírito dos navegadores portugueses.
Depois, com uma cordita atada a outro barco, fomos rebocados de volta à ilha, e aí distribuídos por três outros barquitos concorrentes e lá regressamos encharcados, cheios de frio e de fome, por volta das 20.30h da noite.
Está claro, percebi eu, o bilhete foi tão caro porque dava direito a uma inesperada aventura marítima!!
Será que consigo arranjar maneira de provar culpa in contrahendo?

14 Julho 2009

Invenções

A minha última aquisição foi uma Nikon D40, a mais básica das Reflex Digitais da Nikon. E não obstante ser a mais básica, nem por isso deixa de ser, para mim, um desafio suficientemente complexo, que vou descobrindo e desvendando a cada disparo :)
O tempo é que vai sendo pouco e a aprendizagem lenta, mas isto há-de melhorar :P
Lindoso (04-Jul.2009)
Lindoso (04-Jul.-2009)
Bombarral (11-Jul.-2009)

26 Maio 2009

Inutilidades

Em resposta ao convite lançado pelo meu querido Ega, aqui, as "minhas" séries de TV são:
1 - Crime, disse Ela;
2 - ALF;
3 - MacGyver;
4 - Knight Rider;
5 - The A-Team;
6 - X-Files;
(com recordações de outros tempos da infância/adolescência)
7 - Friends;
8 - Prison Break;
9 - House;
10 - 7 Palmos de Terra;
11 - Donas de casa desesperadas.
(com recordações dos tempos de Faculdade, em que não fazia praticamente nada...)
E agora que penso bem nisso, talvez não seja assim tão mau já não ter tempo para ver TV...

18 Maio 2009

Viva à Espanha!

Depois de Volver (2006) e Todo sobre mi madre (1999), Hable con ella deixou-me definitivamente rendida ao cineasta espanhol Pedro Almodóvar!
E eu, tonta, que desperdicei a oportunidade de ver Los Abrazos Rotos, em estreia num cinema de A Coruna! Não tenho perdão...

03 Maio 2009

Mudanças...

O tempo e a idade vão mudando as pessoas!
Senão vejam o meu exemplo:
Até há bem pouco tempo detestava alho; migas; açorda; carne mal passada; cerveja e vinho de qualquer espécie...
Agora, refastelo-me alegremente com cada uma das coisas que acima enunciei! E até já bebo vinho verde tinto!
Coisas da idade!

29 Abril 2009

Muro das Lamentações

Oh vida dura, a minha... :P
Quando o tempo insiste em passar a correr, escasseando para as mais simples tarefas, o que me vai valendo são os feriados e outras festividades... Viva o 1 de Maio!
E a propósito de um episódio ocorrido ontem com uma amiga, quer-me cá parecer que quem faz questão de se auto-valorizar, rebaixando o próximo e proclamando aos ventos a sua pretensa posição, só pode ter graves frustrações. E há por aí muito boa gente que já consultava um psicólogo...
E também a propósito disso e das recentes comemorações do 25 de Abril (e na modesta opinião desta jovem inconsequente nascida dez anos depois), tenho a dizer que:
O
movimento do 25 de Abril de 1974 veio, entre outras coisas, generalizar o acesso ao Ensino Superior. De facto, se em tempos remotos chegar à Universidade, lá tirar um curso e sair Doutor, era um verdadeiro privilégio só acessível a uns quantos filhos das chamadas «boas famílias» e uns poucos realmente esforçados, após o fenómeno da revolução de Abril, esse privilégio foi aos poucos desvanecendo-se, até que, chegados a 2009, não há cromo sem dois dedos de testa que não se apelide de Dr..
Ora, este fenómeno traz consequências chatas!
Para além da concorrência selvagem e ânsia por reconhecimento social, consequências dessa massificação, é frequente encontrar nas gerações formadas após o 25 de Abril, um sentimento de engrandecimento pessoal, altamente fastidioso, ao estilo de Alípio Abranhos. Como se a Universidade os houvesse emancipado, apagando o passado humilde dos seus pais e avós. Pelo menos, assim o pretendem. E depois, tem uma pessoa que andar a aguentar pacientemente a vaidade alheia, com mariquices absolutamente desenquadradas de Sr. Dr. para aqui e Sra. Dra. para acolá, ao mesmo tempo que constata, a cada passo, que a inteligência e competência daqueles é, em regra, em medida proporcionalmente inversa.
Enfim...

22 Março 2009

Leiria

18 Março 2009

Já dizia Zaratustra...

«Aprendi a caminhar: desde então permiti-me correr. Aprendi a voar: desde então não espero ser empurrado para mudar de lugar.»
NIETZSCHE in "Assim falou Zaratustra", Os discursos de Zaratustra - Ler e Escrever

11 Março 2009

Giusepe Verdi

Não sei bem porquê, mas esta semana ao ir trabalhar tem-me dado para ouvir Verdi - e o certo é que, entre La Traviata e Rigoletto, lá chego bem desperta e bem disposta, pronta para enfrentar mais um dia...

28 Fevereiro 2009

Memórias do Prado

As obras que, por distintos e insondáveis desígnios, mais me marcaram na primeira visita ao Prado...
Saturno comendo um filho - Francisco de Goya - 1819

Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808 - Francisco de Goya - 1814

As três idades do Homem e a Morte - Hans Baldung - 1539
As meninas - Diego Velázquez - 1656-57

A mulher barbuda - Jusepe de Ribera - 1631

Inesquecível Retiro...

Palácio de Cristal - Parque del Retiro - Madrid

20 Fevereiro 2009

Vamos?

E depois de duas semanas completamente extenuantes, em que mal pude respirar, e que pelos vistos se irão repetir e repetir até lá para Agosto, eis que chega algum oxigénio... Os próximos quatro dias serão exclusivamente dedicados à Boa Vida, por terras de nuestros hermanos!
:D
Vamos?

05 Fevereiro 2009

Da Lenda de Godiva

Reza a História e a Lenda, mais esta do que aquela, que, por volta do ano de 990, terá nascido no seio de uma família aristocrática anglo-saxónica, Godgyfu, que significa «gift of God», imortalizada sob a versão latina, GODIVA.
Godiva uniu-se, pelo sagrado matrimónio, a Leofric, Duque de Mercia, com quem passou a viver na antiquíssima cidade inglesa, Coventry.
Acontece que, Godiva, aristocrata habituada aos bons e belos prazeres da vida, impressionada com a desgraça dos que mais parece terem nascido, não do mas no pó, e que daí nunca sairam, subjugados pelo trabalho de sol a sol..., sentiu pena! E lamentou que estes não pudessem, como ela, regalar-se com a Arte e o que demais a vida tem de bom!
Entendeu a benemérita Godiva que o povo só não apreciava tais maravilhas porque o Senhor, dela e deles, o sobrecarregava com pesadíssimos impostos, o que os forçava a trabalhar tão intensa e arduamente...

Assim, decidiu Lady Godiva interceder pelo povo e pelo seu direito à Boa Vida, o que, segundo se conta, fez com bastante afinco!

Tanto que, farto de a ouvir, o imprudente Leofric acabou por admitir baixar os impostos, sob a condição de Lady Godiva cavalgar nua pelas ruas de Coventry.

Não contou ele com o despudor da mulher...

É que ela aceitou, e tal como veio ao mundo, passeou-se a cavalo, pelo povo e para o povo!

A partir daqui, a lenda apresenta divergências: dizem os mais púdicos que a nudez era apenas simbólica; Godiva teria saído à rua «despida» de adereços e jóias preciosas, símbolo e marca da nobreza...

Enfim, a Lady Godiva que aqui se apresenta não pode deixar de ser a da versão mais afoita, já que a outra, além de extremamente desinteressante, não teria feito nada que se pudesse apelidar de artístico.

Resta dizer que Leofric cumpriu a promessa e os impostos desceram... Já o povo, esse, continuou a trabalhar de sol a sol, desconhecendo haver mais na vida!

01 Fevereiro 2009

Porque sim...

E se, assim de repente, me pedissem para dizer 10 filmes que verei para o resto da vida, vezes sem conta, sem me cansar?
Assim de repente, diria estes:
- Finding never land (2004);
- Big Fish (2003);
- Cinema Paradiso (1988);
- El laberinto del fauno (2006);
- Million Dollar Baby (2004);
- Chicago (2002);
- Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain (2001);
- Volver (2006);
- Legends of the Fall (1994);
- Memoirs of a Geisha (2005).

Anh?!

30 Janeiro 2009

Noites de cinema

Por estes dias fiz serão e vi o filme «Vicky Cristina Barcelona».
Gostei!
Independentemente das abordagens mais analíticas que o filme permite, tipo, as diferenças entre a cultura europeia e estadunidense; a expressão artítica, desde a pintura à fotografia, com breves incursões pelo cinema e música; e as diferentes perpectivas do amor e da sexualidade; a
verdade é que, enquanto o via, me fui identificando com certos aspectos das personagens.
Tal como a Cristina, ainda não sei muito bem o que quero da minha vida mas não tenho dúvidas do que não quero.
Não quero uma vida normal, medíocre e monótona...
Não quero uma vida como a dos meus pais, que, pelo que tenho visto, é igual à da generalidade das pessoas.
Não quero sentir, no fim de tudo, que me limitei a existir.
E sei que serei sempre uma eterna insatisfeita, e talvez isso até nem seja mau de todo...
Acontece que, qual Vicky, também me imagino, desejosa, numa doce e estável vida a dois.
Mas pensando bem, talvez não haja aqui nada de antagónico!

26 Janeiro 2009

Companhia de viagem

São 22.05h e já avisto a Invicta...
Paro o cd e aguardo que o auto-rádio sintonize a M80!
Afino a garganta e sorrio... já tenho companhia para os restantes 200Km's: as grandes músicas dos anos 70, 80 e 90!!

Esta é, definitivamente, ao meu estilo :)

19 Janeiro 2009

Saudosa Lisboa

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. [...]"
Alberto Caeiro

16 Janeiro 2009

Art Flash - II

Amadeo de Souza Cardoso - Entrada (1917)
Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa

Constatações invertidas

"[...]Por não fazer o que mais gosto,
eu canto com desgosto o facto de aqui estar,
e algures sei que alguém mal disposto ocupa o meu lugar.
Ninguém está bem com o que tem
e há sempre um que vem e que nos vai valer;
Porém quase sempre esse alguém não é quem deve ser[...]"
*Canção ao lado* - Deolinda

09 Janeiro 2009

A propósito da audiência de hoje...

“[…] Mesmo do lugar dos réus, é sempre interessante ouvir falar de nós próprios. Durante os arrazoados do procurador e do meu advogado, posso dizer que se falou muito de mim, e talvez até mais de mim que do meu crime. Eram, aliás, assim tão diferentes, estes discursos? O advogado levantava os braços e pleiteava culpado, mas com atenuantes. O procurador estendia as mãos e pleiteava culpado, mas sem atenuantes. No entanto, uma coisa me incomodava vagamente. Apesar das minhas preocupações, apetecia-me por vezes intervir, e o meu advogado dizia-me então: «Cale-se, para seu bem é melhor que se cale.» De algum modo, tinham todo o ar de tratar deste caso à margem da minha pessoa. Tudo se passava sem a minha intervenção. Jogava-se a minha sorte sem que me pedissem opinião. De tempos a tempos tinha vontade de interromper toda a gente e de dizer: «Mas quem é afinal o acusado? É importante ser o acusado. E tenho coisas a dizer!»[…]”
Albert Camus, in O Estrangeiro - Editora Livros do Brasil, 1ª Edição - Lisboa